29 de outubro de 2008

::quando viajo sozinha = foto fake::

Quando viajo sozinha, não sao muitas as fotos que tiro do meu rosto, porém, alguns lugares que visito exigem um registro, mesmo que fake. Este foi um deles. Não se trata de nenhum ponto turístico. É uma esquina, apenas.



:: retomando as atividades ::





Comecei na Carma Design na segunda-feira. O foco da agencia é arquitetura mas, até o momento, isso me parece positivo porque é um novo olhar para o design.

A prova teste para eles conhecerem o meu trabalho, adivinha: Cartão de natal. Eu acho que fazer cartão de natal é pegadinha. Se vc se sair bem deve significar que vc tem algo a acrescentar. Tá fiz. Vamos ver o resultado.

Antes de colocar fotos da agência, quero colocar algumas fotos de domingo. A primeira foi tirada do Rio Pó que corta a cidade. A segunda, de um mirante que fica no lado de la (heheh). Turistas que subiram o mirante para ver os Alpes perderam a viagem. Mal se via a árvore que estava na frente.
Olhe a terceira foto. Somente o contorno das pessoas. O céu, final de tarde, estava cinza avermelhado... tudo muito claro. A última é de uma fábrica aqui perto da Carma. A região possui muitas delas, todas abandonadas. Arquitetos, designers e "tralalás" pegam estas construções e reformam para fazer escritórios. Pera ai que, talvez amanhã , eu coloque fotos da Carma.

26 de outubro de 2008

:: as cores :: primeira noite em torino


O albergue super ok. Quarto pra 4 pessoas, espaço um pouco justo. O de Florença era mais barato, bonito e espaçoso. A localizaçao deste aqui é otima e o atendimento também super bom.

à noite, a região permite caminhadas em ruas estreitas, seguras e calmas.

:: as cores :: primeiro dia em torino



Penso que as cores que observamos possuem uma relação direta com o humor da gente.
Cheguei em Torino ontem. O dia estava cinza.( as fotos, por enquanto, sem identificação de local, estou sem mapa. As linhas da terceira foto são dos transportes elétrico.)

23 de outubro de 2008

:: festival da criatividade ::








Logo ali, perto de onde estou hospedada, acontece o Festival della Creativita.
O tema? Advinha: Brasil. Moda, comportamento, áudio, video, ecologia e até "i bambini" entraram na roda. Na segunda-feira, caminhando pela rua, encontrei o Jun Nakao. Pensei: deve acontecer alguma coisa por aqui... dito e feito. No mesmo dia, se nao me engano, recebi um email falando deste festival e Jun Nakao, querido que só, todo presente. Bem, até o momento a participação dele foi pouca. Se resumiu a um modelo da roupa do desfile mais famoso que ele fez. Fiquei um pouco decepcionada. Mas outras coisas acontecem por aqui. Gostei muito do trabalho do Giacomo Casprini, porque gosto destas coisas que chamam atenção e nos fazem atravessar um saguão para ver de perto. Gostei muito, muito, muito da interferência de alguns artistas nas fotos de modelos, me lembrou um pouco Grendene com a Gisele, mas fiquei surpresa mesmo assim com o resultado. Michelangelo Pistoletto com uma instalação interessante, mas previsível. Um labirinto de papel ondulado, e ao centro, o resultado da sua procura, da sua trajetória: um espelho ( oh! você mesmo!-previsivel). Bem, o papelão ondulado visto de cima, tem uma textura ótima, parecendo gotas gigantes! Valeu a pena. A entrada é free.

:: e começa o dia ::

22 de outubro de 2008

:: "ultimas notícias" :: - Para Umberto Miele.


Na Piazza della Signoria um professor deu uma palestra para mais de 2.000 estudantes, curiosos, professores e turistas reunidos na sombra do Palazzo Vecchio. Esta ação é uma forma de protesto contra as medidas do governo na Universidade


Durante várias semanas, os professores florentino optaram por dar lições ao ar livre.
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O professor afirmou em reportagem para o jornal La Nazione que esta ação busca abrir os olhos da população que ainda admira o governo.
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Para os próximos dias, acredito que ainda teremos esses protestos, não só em Florença, mas também para Siena e Pisa. Os estudantes organizaram alguns movimentos, dentre deles, na capital toscana, na próxima segunda-feira eles farão uma classe ao ar livre por 24 horas.
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Enquanto isso, a contínua ocupação do corpo docente de matemática, agricultura, ciências humanas, ciências da formação, científico e educacional concentrador hub de Morgagni Avenue, um edifício no centro de Darlington. ||| texto traduzido e adaptado do jornal La Nazione |||


Aula na praça parece ser interessante.

21 de outubro de 2008

:: CARTA MARMORIZZATA ::





Florença se destaca nas áreas de encadernação de livros e papéis marmorizados feitos à mao. Lugar para comprar: Il torchio e na il Papiro.


:: Rua de Firenze ::

estudantes de desenho


Eu vi uma Gueixa. aiai... suspiros.


:: Mercato Centrale ::

Aqui não se pode tocar nas frutas, nem para escolher. A primeira vez, fui com a "mão toda serelepe" para escolher uma maçã e ouvi alguém me xingando. Como não entendia o que o cara estava falando ( foi na primeira semana) continuei a escolher, até que eu entendi... hehehe.
Italiano bravo não é uma coisa legal de se assistir. O programa de um curso de língua estrangeira para aprender o básico, (pedir comida, reservar hotel, etc) deveria incluir, também, os palavrões básicos.
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Hoje fui ao mercado, novamente, o cara da fruta colocou esta mensagem em inglês.
"Don't touch" Acho que é para mim.
Azar o dele. Agora eu também sei até xingar em italiano.




O que mais gostei do mercado foram as maçãs desidratadas. Elas não são completamente secas, são deliciosas mesmo. Viciei. Vegeterianos viciam em maçã.

:: Palácio Pitti ::


Olhe, nao pode fotografar dentro do palácio não, viu?
Operação 007, para trazer novidades até você. hoho.






15 de setembro de 2008

ITÁLIA:Florence-albergue paola




Para os primeiros dois dias:

Hostel:Albergo Paola
Address: Via Faenza 56 ,Florence 50123, Italy
Telephone: 0039 055 21 36 82

Email: info@albergopaola.com
Website:
http://www.hostelbookers.com/hostels/italy/florence/4866/

ITÁLIA: dicas de albergues



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PASSO FINAL: feitos todos esses questionamentos, procure escolher o albergue com base nas indicações de pessoas que já estiveram lá (há sites, como o Trip Advisor, que dão relatos de hóspedes, mas tome cuidado para não ser enganado por propagandas disfarçadas de relatos), seja por contato pessoal ou por comunidades do orkut. Os guias impressos (Lonely Planet, Let's Go, Rough Guide, etc.) dão uma idéia geral dos albergues, mas nunca se sabe se as opiniões são realmente neutras. Sites como o Hostels, Hostelworld e o Hostelling International completam o trabalho, informando tudo com relação a localização, preços, disponibilidade nas datas que você precisa, se há ou não curfew, se há ou não lock out, horário de check in e check out, existência de bares, danceterias e internet grátis, etc. Não tenha preconceito contra os albergues que não são filiados à Hostelling International, muitos também são bons e até melhores. Feito isso, reserve. Na Europa, dificilmente lugares legais têm disponibilidade sem reserva prévia. "

fonte: http://demochilao.blogspot.com/2008/03/dicas-para-escolher-um-albergue.html

ITALIA- deslocamento



Para ir de trem de Milão para Florença:
http://portugues.eurail.com/enpt/1_railway_italy

7 de junho de 2008

:: livro preferido - Palomar (Ítalo Calvino) ::

:: foto tirada em SC, no ano em quem li o conto pela 1 vez.
{se eu fosse um personagem eu seria o Palomar.} +++ leia todos os contos do livro.

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PALOMAR NA PRAIA
Leitura de uma onda
ITALO CALVINO


O mar está levemente encrespado e pequenas ondas quebram na praia arenosa. O senhor Palomar está de pé na areia e observa uma onda.

Não que esteja absorto na contemplação das ondas. Não está absorto, porque sabe bem o que faz: quer observar uma onda e a observa. Não está contemplando, porque para a contemplação é preciso um temperamento conforme, um estado de ânimo conforme e um concurso de circunstâncias externas conforme: e embora em princípio o senhor Palomar nada tenha contra a contemplação, nenhuma daquelas três condições, todavia, se verifica para ele. Em suma, não são "as ondas" que ele pretende observar, mas uma simples onda e pronto: no intuito de evitar as sensações vagas, ele predetermina para cada um de seus atos um objetivo limitado e preciso.

O senhor Palomar vê uma onda apontar na distância, crescer, aproximar-se, mudar de forma e de cor, revolver-se sobre si mesma, quebrar-se, desfazer-se. A essa altura poderia convencer-se de ter levado a cabo a operação a que se havia proposto e ir-se embora.

Contudo, isolar uma onda da que se lhe segue de imediato e que parece às vezes suplantá-la ou acrescentar-se a ela e mesmo arrastá-la é algo muito difícil, assim como separá-la da onda que a precede e que parece empurrá-la em direção à praia, quando não dá até mesmo a impressão de voltar-se contra ela como se quisesse fechá-la. Se então considerarmos cada onda no sentido de uma amplitude, paralelamente à costa, será difícil estabelecer até onde a frente que avança se estende contínua e onde se separa e se segmenta em ondas autônomas, distintas pela velocidade, a forma, a força, a direção.

Em suma, não se pode observar uma onda sem levar em conta os aspectos complexos que concorrem para formá-la e aqueles também complexos a que essa dá ensejo. Tais aspectos variam continuamente, decorrendo daí que cada onda é diferente de outra onda; mas da mesma maneira é verdade que cada onda é igual a outra onda, mesmo quando não imediatamente contígua ou sucessiva; enfim, são formas e seqüências que se repetem, ainda que distribuídas de modo irregular no espaço e no tempo. Como o que o senhor Palomar pretende fazer neste momento é simplesmente ver uma onda, ou seja, colher todos os seus componentes simultâneos sem descurar de nenhum, seu olhar se irá deter sobre o movimento da água que bate na praia a fim de poder registrar os aspectos que a princípio não havia captado; tão logo se dê conta de que as imagens se repetem, perceberá que já viu tudo o que queria ver e poderá ir-se embora.

Homem nervoso que vive num mundo frenético e congestionado, o senhor Palomar tende a reduzir suas próprias relações com o mundo externo e para defender-se da neurastenia geral procura manter tanto quanto pode suias sensações sob controle.

A crista da onda vindo para a frente ergue-se num determinado ponto mais do que nos outros e é ali que começa a se preguear de branco. Se isto acontece a certa distância da praia, a espuma tem tempo de revolver-se sobre si mesma e desaparecer de novo como que tragada e no mesmo momento tornar a invadir tudo, mas desta vez surgindo de baixo, como um tapete branco que soergue a fímbria para acolher a onda que chega. Porém, quando se espera que a onda role sobre o tapete, damo-nos conta de que já não existe mais a onda, mas apenas o tapete, e mesmo esse rapidamente desaparece, torna-se uma cintilação da areia alagada que se retira veloz, como se para contê-lo houvesse um expandir-se da areia seca e opaca avançando seu rebordo ondulado.

Ao mesmo tempo precisa-se considerar as reentrâncias da frente, em que a onda se divide em duas alas, uma que tende em direção à praia da direita para a esquerda e outra da esquerda para a direita, e o ponto de partida ou de chegada dessa divergência ou convergência é aquela ponta em negativo que segue o avançar das alas mas sempre se mantendo um pouco atrás e sujeita ao sobrepor-se alternado delas, para que não venha a ser alcançada por uma outra onda mais forte embora também esta com o mesmo problema de divergência-convergência, ou talvez por outra ainda mais forte que resolva o impasse rompendo o nó.

Tomando como modelo o desenho das ondas, a praia avança na água pontas apenas esboçadas que se prolongam em bancos de areia submersos, como as correntes os formam e desfazem a cada maré. Foi uma dessas línguas baixas de areia que o senhor Palomar escolheu como ponto de observação, porque as ondas nelas batem obliquamente de uma parte e de outra, e ao cavalgarem por cima da superfície semi-submersa vão encontrar-se com as que chegam da outra parte. Assim, para se compreender como uma onda é feita é necessário ter-se em conta esse impulso em direções opostas que em certa medida se contrabalançam e em certa medida se somam, e produzem um quebrar geral de todos os impulsos e contra-impulsos no mesmo alagar de espuma.

O senhor Palomar está procurando agora limitar seu campo de observação; se tem presente um quadrado de, digamos, dez metros de praia por dez metros de mar, pode levantar um inventário de todos os movimentos de ondas que ali se repetem com freqüência variada dentro de um dado intervalo de tempo. A dificuldade está em fixar os limites desse quadrado, porque, por exemplo, se ele considera como o lado mais distante de si a linha em relevo de uma onda que avança, essa linha ao aproximar-se dele irá, erguendo-se ocultar de sua vista tudo o que está atrás; e eis que o espaço tomado para exame se destaca e ao mesmo tempo se comprime.

Contudo, o senhor Palomar não perde o ânimo e a cada momento acredita haver conseguido observar tudo o que poderia ver de seu ponto de observação, mas sempre ocorre alguma coisa que não tinha levado em conta. Se não fosse pela impaciência de chegar a um resultado completo e definitivo de sua operação visiva, a observação das ondas seria para ele um exercício muito repousante e poderia salvá-lo da neurastenia, do infarto e da úlcera gástrica. E talvez pudesse ser a chave para a padronização da complexidade do mundo reduzindo-a ao mecanismo mais simples.

Mas todas as tentativas de definir este modelo devem levar em consideração uma onda que sobrevêm em direção perpendicular ao quebra-mar e paralela à costa, fazendo escorrer uma crista contínua e apenas aflorante. Os saltos das ondas que se desgrenham para a praia não perturbam o impulso uniforme dessa crista compacta que a corta em ângulo reto sem que se saiba para onde vai nem de onde vem. Pode ser um fio de vento do nascente que move a superfície do mar em sentido transversal à corrida profunda que vem das massas de água do largo, mas essa onda que nasce do ar recolhe de passagem também os impulsos oblíquos que nascem da água e os desvia e os corrige em seu sentido levando-os consigo. Assim vai continuando a crescer e a tomar forma para que o encontro com as ondas contrárias não a amorteça aos poucos até fazê-la desaparecer, ou então a força até fazê-la confundir-se numa das tantas dinastias de ondas oblíquas, levada à praia com as outras.

Prestar atenção em um aspecto faz com que este salte para o primeiro plano, invadindo o quadro, como em certos desenhos diante dos quais basta fecharmos os olhos e ao reabri-los a perspectiva já mudou. Além do mais nesse entrecruzar-se de cristas diversamente orientadas o desenho de conjunto se torna fragmentado em espaços quadrados que afloram e se desvanecem. Acresce que o refluxo de cada onda também possui uma força que se opõe às ondas supervenientes. E se concentrarmos a atenção nesses impulsos retroativos vai nos parecer que o verdadeiro movimento é aquele que parte da praia em direção ao largo.

Será que o verdadeiro resultado a que o senhor Palomar está prestes a chegar é o de fazer com que as ondas corram em sentido oposto, de recuar o tempo, de discernir a verdadeira substância do mundo para além dos hábitos sensoriais e mentais? Não, ele chega até a experimentar um leve sentido de reviravolta, mas é tudo. A obstinação que impulsiona as ondas em direção à costa já ganhou a parada: de fato, elas aumentaram bastante. O vento estaria mudando? É pena que a imagem que o senhor Palomar havia conseguido organizar com tanta minúcia agora se desfigure, se fragmente e se perca. Só conseguindo manter presentes todos os aspectos juntos, ele poderia iniciar a segunda fase da operação: estender esse conhecimento a todo o universo.

Bastaria não perder a paciência, coisa que não tarda a acontecer. O senhor Palomar afasta-se ao longo da praia, com os nervos tensos como havia chegado e ainda mais inseguro de tudo.

FONTE: CALVINO, Italo. Palomar.tradução de Ivo barroso. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p.7-11.

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